Em 26 de junho, a Universidade Da Vinci (UDAVINCI) organizou o fórum "Leap into the future: Professional success in the age of AI", com personalidades do sector.
O avanço da Inteligência Artificial representa uma profunda perturbação no emprego global, obrigando-nos a repensar a forma como nos preparamos para o mundo do trabalho. A educação deve ser flexível, personalizada e orientada para os resultados para acompanhar esta transformação.
"Os agentes de IA já são capazes de fazer o trabalho de milhares de pessoas e tomar decisões estratégicas para as empresas por si só. Cabe-nos a nós transformá-los em inimigos ou aliados", reflectiu Charlotte Piwinski, Diretora de Crescimento da Entropia.ai, durante a sua participação no evento "Leap into the Future: Career Success in the Age of AI".
Este encontro, realizado na Grand Fiesta Americana Chapultepec e organizado pelo Universidade Da Vinci (UDAVINCI), reuniu mais de 150 participantes presenciais e 300 ligados via streaming de países como a Colômbia, o Peru e o Equador.
De acordo com o relatório sobre O Futuro do Emprego 2025 do Fórum Económico Mundial22% dos empregos serão afectados pela rutura tecnológica até 2030, com a criação de 170 milhões de novos empregos e o desaparecimento de outros 92 milhões.
Gerardo Hernández, jornalista e TopVoice do LinkedIn sobre questões de talento humano, alertou: "Os empregos mecânicos, com operações repetitivas e que não exigem pensamento crítico, serão os primeiros a desaparecer, mas também serão criados outros que nem sequer podemos imaginar atualmente.
No entanto, em contextos como o do México - onde os trabalhadores são confrontados com salários baixos e poucas férias - a implementação de uma cultura de aprendizagem ao longo da vida é um verdadeiro desafio.
Fernando Osnaya, Country Manager do EDUCA EDTECH Group, sublinhou que "o ensino superior deve compreender esta realidade no México e na América Latina, transformando-se e adaptando-se como um facilitador para que as empresas continuem a crescer e os trabalhadores não só sobrevivam à disrupção da IA, mas também tirem partido dela para alcançar melhores empregos e bem-estar".
Neste contexto, a educação deve responder a desafios concretos:
- As empresas estão a ter cada vez mais dificuldade em encontrar talentos que correspondam às suas necessidades, enfrentando elevados custos de recrutamento e de rotatividade.
- Muitas universidades mexicanas ainda não actualizaram os seus programas académicos para acompanhar o mercado, deixando milhares de jovens com diplomas que não são muito aplicáveis.
- As novas gerações exigem modelos de aprendizagem e de trabalho mais flexíveis, personalizados e virados para o futuro.

Educação com objectivos: os cinco pilares
Fernando Osnaya identificou cinco caraterísticas essenciais para uma educação alinhada com o futuro do trabalho:
- Qualidade comprovável: programas reconhecidos, professores especializados e diplomados bem sucedidos no mercado de trabalho.
- Integração da IA: para proporcionar uma aprendizagem personalizada e adaptativa.
- Flexibilidade: opções que se adaptam aos horários dos estudantes que já trabalham.
- Acessibilidade: preços competitivos para democratizar a educação.
- Conteúdos úteis: orientados para o mercado de trabalho, com destaque para a tecnologia e a inteligência social e emocional.
"Hoje em dia, as empresas precisam de empregados com capacidades tecnológicas avançadas, mas também com competências humanas mais desenvolvidas, porque é aí que se formam os líderes que conseguem ultrapassar os momentos difíceis", afirmou Leticia Pérez, diretora de Comunicação Interna da El Puerto de Liverpool.
Neste sentido, Lyz Escalante, consultor de transformação de competências e LinkedIn TopVoice, acrescentou: "Não é possível criar equipas de elevado desempenho em qualquer organização se não se cuidar proactivamente da sua saúde física, emocional e mental".
Durante o evento, Victor Manuel Cab, vice-reitor da UDAVINCI no México, resumiu o espírito da reunião com uma frase-chave: "O sucesso na era da IA não é para aqueles que sabem tudo, mas para aqueles que estão dispostos a aprender sempre".
Por último, Fernando Osnaya concluiu com otimismo: "Embora a IA coloque desafios significativos, os benefícios e as oportunidades que nos oferece podem ser infinitos se conseguirmos desenvolver uma educação que se torne um aliado estratégico das empresas e dos trabalhadores".